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Análise: As veias abertas do campo paraguaio
Fecha de Publicación: 2026-06-29
Con este titular, uno de los más importantes diarios del vecino país, Brasil, el Folha de São Paulo, publicó el pasado 25 de un artículo escrito por el pedrojuanino Fabio Aníbal Jara Goiris, conocido analista político y profesor de la Universidad Estadual de Ponta Grossa/PR, autor además de varios libros de consulta sobre política nacional e internacional. A continuación trascribimos textualmente el artículo en el idioma que fue publicado, el portugués.

FABIO ANIBAL JARA GOIRIS
ESPECIAL PARA A FOLHA

A causa fundamental da grave crise política do Paraguai é a ausência de reforma agrária. Desde a longa ditadura do general Stroessner (1954-1989), aliado do Partido Colorado, jamais houve reforma agrária e nem mesmo a mais tímida revolução burguesa. A elite dominante sempre se mostrou indiferente ao problema da terra no Paraguai. O resultado é a existência de una classe subalterna sumida na miséria e no desamparo.

Há uma 'luta de classes' que se trava entre, por um lado, o atávico patrimonialismo que inclui latifundiários, o empresariado e a grande imprensa aliado certamente ao Estado burguês e, por outro, um povo que fora abandonado por esse mesmo Estado burguês e que já não suporta o peso do 'capitalismo tardio'. Fernando Lugo não é, pois, o iniciador/instigador desse longo processo de luta entre dominantes e dominados, ao contrario, durante o seu governo os campesinos vem tendo a rara oportunidade de reivindicar seus direitos de acesso à terra, que foram negados e escamoteados durante as longas ditaduras que jamais atinaram para a solução do problema da terra.

Mas, saliente-se que o Presidente Lugo também apresentou titubeios e inseguranças para tomar as grandes decisões, além de demonstrar pouca familiaridade com a dialética e a diplomacia políticas, especialmente no trato com o partido liberal, seu aliado.

Pode-se concluir que o Paraguai não conseguiu construir ao longo da sua história 'intelectuais orgânicos', para usar o conceito de Gramsci, ligados às classes subalternas. O poder coercitivo da elite dominante excluiu em forma peremptória o papel democrático que caberia àqueles intelectuais e à própria esquerda democrática. Há um predomínio impressionante de intelectuais orgânicos ligados á classe dominante.

Este processo adverso para a democracia tem influenciado poderosamente o pensamento da classe média urbana que com facilidade se posiciona contra humildes campesinos. A imprensa conservadora e autoritária pouco esclarece ao cidadão comum sobre o papel desagregador do conservadorismo e do patrimonialismo usurpador. Por fim, somente a continuidade do processo de mudanças sociais e políticas poderão cicatrizar através do tempo as veias abertas do campo paraguaio.

O autor é cientista político (UFRGS), professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná, Brasil e autor do livro: 'Paraguay: Ciclos Adversos y Cultura Política', 2004

 


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